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Resenha | O Presente - Cecilia Ahern

Editora: Novo Conceito
Páginas: 320
Estrelas: ✬✬✬
Skoob
Publicado originalmente em 2008 com o título de The Gift


Todos os dias, Lou Suffern luta contra o tempo. Ele tem sempre dois lugares para ir, tem sempre duas coisas a fazer. Quando dorme, sonha com os planos do dia seguinte, e, quando está em casa, com a esposa e os filhos, sua mente está, invariavelmente, em outro lugar. Numa manhã de inverno, Lou encontra Gabe, um morador de rua, sentado no chão, sob o frio e a neve, do lado de fora do imenso edifício onde Suffern trabalha. Os dois começam a conversar, e Lou fica muito intrigado com as informações que recebe de Gabe; informações de alguém que tem observado uniões improváveis entre os colegas de trabalho de Lou, como os encontros da moça de sapatos Loubotin com o rapaz de sapatos pretos... Ansioso por saber de tudo e por manter o controle sobre tudo, Lou entende que seria bom ter Gabe por perto — para ajudá-lo a desmascarar associações que se formam fora de suas vistas — e lhe oferece um emprego. Mas logo o executivo arrepende-se de ajudar Gabe: sua presença o perturba. O ex-mendigo parece estar em dois lugares ao mesmo tempo, e, além disso, Gabe lhe fala umas coisas muito incomuns, como se soubesse do que não deveria saber... Quando começa a entender quem é realmente Gabe, e o que ele faz em sua vida, o executivo percebe que passará pela mais dura das provações. Esta história é sobre uma pessoa que descobre quem é. Sobre uma pessoa cujo interior é revelado a todos que a estimam. E todos são revelados a ela. No momento certo.

Essa é uma história que se passa no Natal sobre valores "natalinos", temas que geralmente exploramos melhor nessas épocas festivas, como família e amigos, amor, bondade e generosidade. O que importa mais? O que traz felicidade maior?

Eu já li várias resenhas falando sobre o quanto o Lou é detestável, e, em partes, concordo. Porém, também concordo com o Lou em alguns aspectos, tenho uma ambição semelhante a dele com o meu trabalho. Até acredito que seja uma "tendência" dos últimos anos, somos todos um tanto "workaholics".

O problema é que ele exagera. Um pouco de ambição, ok, show! Mas Lou abre mão de todos os momentos familiares em nome de uma promoção. É o primeiro a chegar no escritório e o último a sair, ainda assim, para encontrar mais um cliente para uns drinks e jantar. Lou nunca trocou a fralda de seu filho mais novo, para dar uma ideia geral da situação.

Por algum motivo, Lou, à caminho do trabalho, oferece um café para um mendigo que está na rua em frente ao seu escritório, os dois conversam e Gabe, o mendigo, que reconhece todos pelo seu caminhar e sapatos, conta uma história sobre uma moça de sapatos de salto alto e um homem de sapatos pretos. Long story short... Lou vê uma oportunidade de passar à frente dos colegas com as informações de Gabe e oferece um emprego para ele na empresa e algumas coisas começam a mudar.

Gabe começa a chegar antes de Lou no trabalho, parece estar em dois lugares ao mesmo tempo e fazendo tudo de maneira melhor que Lou. Até, depois de um incidente, Gabe acaba fazendo amizade com sua família, confortando a mulher de Lou.

O desenvolvimento da história acaba puxando para o paranormal, mas não deixa de ser uma história fofa de Natal. As frases são muito bem escritas, com palavras bem colocadas. Sabe quando dizem "mostre, não conte"? A autora tem esse estilo de prosa, transformando elementos simples da história em poesia.

O final é um pouco decepcionante. Foi apressado e deixou dúvidas sobre algumas coisas. O livro não é fininho, mas poderia ter mais algumas páginas. O ritmo que ela vinha seguindo no desenvolvimento fica acelerado demais, atropela a "boniteza" da história e deixa um tantinho de amargor na leitura.

É um drama natalino, adorei ter lido nessa época. Faz um tempo que não sinto o "espírito natalino", aquela expectativa boa que a época traz e esse livro me ajudou a recuperar um pouco disso.

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