Pular para o conteúdo principal

Resenha | Um Mundo à Parte - Jodi Picoult

Editora: Verus
Páginas: 585
Estrelas: ✬✬✬✬✬
Skoob
Publicado originalmente em 2010 com o título de House Rules

Jacob Hunt é um adolescente com síndrome de Asperger, uma forma leve de autismo. Ele é péssimo para interpretar pistas sociais e se expressar diante dos outros e, como muitas pessoas com essa condição, tem fixação por um único tema - no caso dele, análise forense. Jacob vive aparecendo em cenas de crimes, graças ao rádio de polícia que tem em seu quarto, e dando conselhos aos policiais sobre o que fazer... e geralmente ele está certo. Mas de repente sua pequena cidade é abalada por um assassinato terrível, e dessa vez é a polícia que vem atrás dele para fazer perguntas. De uma hora para outra, Jacob e sua família, que só querem levar uma vida normal, estão diretamente sob os holofotes. Para sua mãe, Emma, esse é um lembrete brutal da intolerância que sempre ameaçou sua família. Para seu irmão, Theo, é mais uma indicação de que nada pode ser normal por causa de Jacob. E, sobre essas pessoas tão ligadas entre si, paira a dúvida que consome a todos - Será que Jacob cometeu homicídio?

Esse é um dos melhores livros que li esse ano até agora, com certeza. É completo. Tem história, tem personagens, tem emoção, tem ação, tem tudo, para todos os gostos. É daquele tipo de livro que te faz ficar presa a história, sentindo junto com os personagens tudo o que está acontecendo.

Eu iniciei essa leitura numa viagem de volta a minha cidade, li o caminho todo, mais enquanto esperava na fila do táxi e mais quando cheguei em casa. E continuei a leitura nos dois dias seguintes em todos os momentos que podia. É realmente envolvente.

A narrativa pula de perspectiva entre o Jacob, sua mãe, seu irmão, o "detetive" (não lembro se era esse o posto dele, de qualquer forma era policial) e o advogado. O que faz maravilhas para a construção da história, pois conseguimos ter uma visão geral de tudo o que está acontecendo.

Jacob tem uma "professora" que o auxilia com o convívio social, levando-o em lugares públicos, dando algumas tarefas como conversar com um estranho, na tentativa de ajudá-lo a se expressar melhor. Os dois se dão super bem, até que um dia, após uma briga dos dois, Jess (a instrutora) aparece morta.

Como uma das fixações de Jacob é ciência forense, ele, de uma certa maneira, até fica animado com a possibilidade de investigar o assassinato da amiga. Um ponto muito sensível da narrativa é esse, saber se o Jacob sente alguma coisa ou não, porque, dada a condição dele, pelo menos a expressão desses sentimentos é extremamente prejudicada. Quando a perspectiva passa para outro personagem, como o detetive, por exemplo, nós conseguimos perceber o quanto ele parece um...bom, psicopata. Enquanto que, na perspectiva do Jacob, nós até entendemos um pouco do que ele sente.

A autora conseguiu me fazer sentir na posição de cada personagem. Quando narrado pela perspectiva de Emma, a mãe de Jacob, eu me senti a mãe dele também. Dei risadas e chorei junto com ela nas dificuldades cotidianas de lidar com o filho. Assim como me senti uma adolescente revoltada, na perspectiva de Theo, o irmão de Jacob.

É um prato cheio para quem gosta de mergulhar numa situação diferente da sua. Eu me emocionei, dei risada, fiquei tensa e criei expectativas com esse livro. É uma história muito emocionante. O final poderia ser melhor, mas foi satisfatório.

Algumas considerações só que eu devo fazer é que, um, a capa do livro não condiz com a história. Jacob tem 18 anos e a capa passa a impressão dele ser criança, e essa é a mesma capa do original. Além disso, eu não sei vocês, mas se eu já não tivesse lido resenhas sobre esse livro antes de vê-lo na livraria, seriam quase nulas as chances de ser atraída pela capa. E, dois, embora eu tenha gostado da tradução do título (acho que retratou bem a situação do Jacob), o título em inglês tem muito mais a ver com a história, beirando um spoiler, inclusive. 

E você? Já leu? Deixe sua opinião nos comentários!

Comentários

  1. Adorei o jeito como você faz resenhas. Você consegue expressar tudo o que sente em palavras, e fazer uma crítica séria e perfeita. Muito bom.
    O livro parece ser ótimo, gosto de livros que tem um pouco de tudo. Não fui com a cara da capa, e talvez não compre por causa dela. Há pessoas que dizem que julgar pela capa é errado, mas a capa precisa transparecer tudo que acontece na história. Quando isso não acontece é chato para nós, leitores, que achamos que a história é totalmente diferente do que lemos. Até melhor. As editoras deviam pensar nisso.
    Ótima resenha.
    photo-and-coffee.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Belle, você me deixou até vermelha com seu comentário! Muito obrigada, obrigada mesmo :)
      Eu concordo com você, querendo ou não, a capa ajuda ou atrapalha. Eu não teria nem olhado duas vezes para essa capa se não tivesse visto uma resenha muito legal sobre ele.

      Beijão!

      Excluir
  2. Oi Rafa, tudo bom?
    Já tinha visto esse livro por aí, mas não sabia do que se tratava. A trama parece ser muito boa e envolvente.
    Como você disse, a capa não tem nada a ver com a premissa do livro.
    Beijos!
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É, ele vale a pena mesmo. Um livro completo :D

      Beijão!

      Excluir
  3. Nossa... O menino tem 18 anos?
    Essa capa está errada mesmo... rs
    Mas, pela sua resenha, me interessei pela história!
    Adorei o blog, estou seguindo...
    BJs, Lu
    http://resenhasdalu.blogspot.com.br/
    (Tem um sorteio lá no meu blog, se quiser ir ver... )

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Já conferi seu blog, Luiza. Muito legal :D

      E sim! Não sei o que eles queriam representar com a capa haha vai entender!

      Bjs

      Excluir
  4. Caracas! Tudo o que mais me atrai são os livros que são resenhados com esse ponto positivo de sermos envolvidos pelo livro e se afirmar que os personagens são bem formados! Amei, e quero ler esse livro até mais do que as minha trilogias e sagas amadas! Ah, eu também não seria chamado para ler esse livro por essa capa, mas agora, agora serei! E... pera.. o garoto tem 18 anos? Eu poderia afirmar que se tratava de uma criança com a sindrome de As.. com inclinação á analise forense, mas não! Que capinha! RsRs

    Gabryelfellipeealgo.blogspot.com
    El Costa - Confins Literários

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu, ultimamente, tenho fugido de trilogias e sagas (com algumas exceções, porque ninguém é de ferro, né? hahaa). Graças a Internet e as resenhas, senão, eu também não teria olhado duas vezes para ele, coitado!

      Beijão!

      Excluir
  5. Eu não conhecia esse livro e a sua resenha me deixou super curiosa! Achei atrativa a forma como o assunto é abordado, nunca li nada parecido. Já estou procurando promoções... rss

    Concordo com vc a respeito da capa, ela não me chamou atenção em nada! Se o título original beira um spoiler vou procurar nem olhar nas informações do livro antes de lê-lo :P

    beijooo

    http://subexplicado.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, esse livro é um super recomendado. Me apaixonei pela história, vale a pena caçar promoções hehe

      Beijos!

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha | Papillon - Henri Charrière

Editora: Bertrand Páginas: 728 Estrelas: ✬✬✬✬ Skoob Publicado originalmente em 1969 com o título de Papillon

Charriere, condenado à prisão perpétua por um assassinato que não cometeu, foi um dos poucos que conseguiram fugir da Ilha do Diabo, presídio localizado na floresta impenetrável da Guiana Francesa, onde os presos pagavam por seus crimes sofrendo degradações e brutalidades. No livro, ele relata como foi acusado, fala de seu martírio ao longo dos anos de confinamento, além da corrupção entre os guardas e como planejou sua fuga cinematográfica. Quando publicado na França, “Papillon” foi alvo de grande controvérsia. Nunca se soube ao certo se os acontecimentos narrados de fato ocorreram com o autor, como ele alega – o que faria do livro um romance autobiográfico –, ou se a trama é fruto de sua fértil imaginação. “Papillon” é um dos relatos mais impressionantes e realistas de toda a literatura, um feito incrível de engenhosidade humana, força de vontade e perseverança. A história de um …

Top 5 | Livros Apaixonantes

Amanhã é dia dos namorados, por isso, sugiro leituras apaixonantes, que aquecem o coração, seja por seus personagens marcantes ou pelo romance do livro. São livros que li recentemente e que saltaram à mente quando pensei nesse tema.

Resenha | Eu Fui a Melhor Amiga de Jane Austen - Cora Harrison

Editora: Rocco
Páginas: 320
Estrelas: ✬✬✬
Skoob
Publicado originalmente em 2010 com o título de I Was Jane Austen's Best Friend

Chega ao Brasil o livro: "Eu fui a Melhor Amiga de Jane Austen" da autora Cora Harrison. A história tem o objetivo de introduzir os mais jovens ao empolgante mundo dos livros de Jane Austen. O livro traz uma combinação entre fatos históricos e ficção, apresentando a relação entre as adolescentes Jane Austen e sua prima Jenny Cooper.