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Resenha | Fahrenheit 451 - Ray Bradbury


Editora: Globo
Páginas: 256
Estrelas: ✬✬✬✬
Publicado em 1953.

"- A escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas, e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?"

Eu não conhecia este livro até encontrar os canais literários no YouTube e ver o quanto ele fazia e faz sucesso. Logo, vi vários vídeos de depois comentando sobre ele e decidi, tenho de lê-lo. Assim, cumpri minha promessa para mim mesma.

Quando iniciei a leitura, fiquei um pouco decepcionada. Achei as primeiras páginas do livro um pouco devagares e me vi pensando - é só isso? Mas depois de alguns capítulos, a impressão passou e eu pude entender o porquê de tanto apreço por este livro.

Trata-se, como é sabido, de um livro distópico, onde os bombeiros, ao invés de apagar incêndios, são os encarregados de encontrar e colocar fogo em livros. Como uma leitora apaixonada e voraz, isso é simplesmente um absurdo! Eu não gosto nem de fazer "orelhas de burro" nos livros, que dirá tacar fogo nos meus queridos.

Montague vive meio alheio às coisas, ou assim parece, até que começa a conversar com uma vizinha que tem uma conversa estranha. Quando ele começa a se questionar e refletir sobre as coisas, porque são como são e se ele está feliz com o seu trabalho. Toda essa reflexão culmina com ele roubando um livro de uma pilha para queimar e aí a história vira.

Eu esperava que o livro tivesse mais ação do que ele realmente tem, entretanto, isso é compensado pela beleza das ideias postas no livro. Na simplicidade que o autor explica que não, não houve uma imposição do governo para que as coisas se tornassem assim, foi um clamor popular. As pessoas não mais queriam viver nesse mundo de tristeza e melancolia que os livros traziam. Para que pensar? O importante é se divertir. Fantástico.

Uma das cenas mais marcantes para mim é quando Montague, em um trabalho, encontra uma mulher que não quer sair da casa para que eles possam colocar fogo nos livros. Ela mesma joga o acelerante por cima de si e dos livros e acende o fogo. Cena dolorosa e triste, mas acho que foi ali a virada do livro.

É claro que ele não fica passivo com tudo isso, uma vez que ele começa a pensar, Montague tem de fazer alguma coisa. Mas isso, eu vou deixar para que vocês leiam por si. Ah, e aviso, eu tive dois cortes de papel com essa leitura, creio que me emocionei demais na virada de páginas haha

Então, é um livro ótimo. Não desbancou 1984 das minhas distopias clássicas preferidas, mas quase. O que eu mais gosto e o que mais me assusta nas distopias clássicas é exatamente a plausibilidade dos mundos criados. É possível que isso venha a acontecer conosco. Assustador, não?


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