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Resenha | O menino da lista de Schindler - Leon Leyson


Editora: Rocco
Páginas: 256
Estrelas: ✬✬✬✬✬
Publicado em 2012.


Misto de biografia e romance de formação, O menino da lista de Schindler acompanha a trajetória de Leon Leyson, o mais jovem integrante e um dos últimos sobreviventes da famosa lista de judeus salvos pelo empresário alemão Oskar Schindler durante a Segunda Guerra Mundial. Intenso como O diário de Anne Frank, o livro chega ao Brasil pelo selo Rocco Jovens Leitores depois de alcançar a prestigiosa lista dos mais vendidos do jornal The New York Times, e oferece uma perspectiva única do Holocausto. Um relato emocionante, corajoso e humano que precisa ser contado às novas gerações.

Comprei este livro por acaso, numa gôndola de mercado. São duas razões que me atraíram, por ser um livro de memórias, o que eu gosto muito e tenho procurado explorar o gênero mais, e por tratar do período da Segunda Guerra Mundial, que também é um tema que gosto de ler e acredito que não possa ser esquecido pelo tempo.

O livro nunca foi escrito no sentido clássico, ele foi fruto de palestras proferidas pelo autor nos seus últimos anos de vida e ele nem chegou a vê-lo trazer frutos, acabou falecendo em 2012, ano de lançamento do livro. Ele nunca quis falar sobre o assunto e convencido por um repórter a dar uma entrevista, acabou sendo convidado para dar palestras por todo os Estados Unidos.

Ele começa a história com 8 anos de idade, relembrando tempos de paz e ambientando como era o tratamento dos judeus antes mesmo de iniciar a guerra. Ele conta que existiam diferenças, mas que de maneira geral, eles tinham uma vida tranquila, tinham a possibilidade de conquistar algumas coisas na vida.

Então, quando inicia a guerra, ele vai relatando aos poucos as restrições que foram sofrendo. Andar na parte de trás do ônibus, não poder sentar nos bancos de praças, posteriormente, não poder ir aos parques e praças, até chegar na exclusão para os guetos e a impossibilidade de trabalhar. Ele relata a fome e a ânsia de buscar pelo próximo alimento.

Ele era muito novo quando a guerra iniciou e a simplicidade do seu olhar se reflete nas memórias dele. Ele relata o primeiro momento em que começou a sentir medo, quando oficiais invadiram sua casa e espancaram seu pai. Ele relata a perda de dois de seus irmãos, as privações que a família teve de suportar.

Mas ao mesmo tempo, ele sabe ser privilegiado porque seu pai era empregado de Schindler. Graças a ação deste nazista, ele, sua mãe, seu pai e alguns irmãos sobreviveram. Então ele permea o livro e tem como objetivo relembrar e comemorar a pessoa do Schindler, o tratamento humano que ele deu aos "seus judeus".

É um livro extremamente forte e triste. Eu não costumo chorar ao ler, mas este livro me trouxe lágrimas aos olhos. Ele foi sortudo e passou por tanta coisa ruim, tanta desumanidade, tanta violência e fome. Imagine quem não foi sortudo.

Uma cena que me marcou também foi quando do fim da Guerra, ele e sua família se mudam para os Estados Unidos, e usando o transporte público, decide se sentar na parte de trás, e logo é informado por um atendente que ele não poderia sentar ali, pois ali era onde sentavam os negros. Ele relata o que sentiu percebendo no país em que ele encontrou sua paz, semelhanças tão grandes com o que ele viveu nos seus tempos de criança.

Eu não li ainda o Diário de Anne Frank, mas este livro deveria ser lido na mesma medida. É uma história que não pode ser esquecida e colocada para debaixo do tapete. As atrocidades que foram cometidas lá não podem ser repetidas nunca mais. Recomendo fortemente a leitura.



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