Pular para o conteúdo principal

Projeto 1001 #12 | Se um Viajante numa Noite de Inverno - Italo Calvino

Editora: Companhia das Letras
Páginas: 280
Estrelas: ✬✬✬
Publicado originalmente em 1979 com o título de Se una notte d'inverno un viaggiatore


Um personagem identificado como Leitor compra o livro "Se um viajante numa noite de inverno". Seu exemplar tem um defeito e por isso ele volta à livraria para trocá-lo. Descobre em seguida que o novo volume nada tem a ver com aquele cuja leitura havia iniciado. A partir daí, envolve-se num verdadeiro labirinto de histórias. 


Nem me lembro como entrei em contato com este livro, depois descobri que ele fazia parte do Projeto 1001 Livros para Ler Antes de Morrer. Matei dois coelhos com uma cajadada.

O primeiro capítulo deste livro é simplesmente sensacional. Você começa a ler e a "obedecer" os comandos do livro, de se posicionar confortavelmente, espichar as pernas para cima da mesa, relaxar enquanto aprecia o livro. O livro é escrito em segunda pessoa, o que te torna personagem principal do livro.

O autor te leva pela livraria, enquanto você perpassa pelos best-sellers que vendem a si mesmos praticamente, passando pelas mesas de exposição, com vários títulos que te interessam, mas que na verdade, não foi por eles que você foi a livraria, passa também por aqueles livros que você quer ler, mas tem medo, até finalmente chegar em "Se um viajante numa noite de inverno".

Daí, entramos na saga do Leitor que, por erro da editora ou por ocasião do destino, não consegue terminar o livro. Cada capítulo inicia um novo livro e se aprofunda no mistério dos livros que não terminam.

Confesso que depois do primeiro capítulo, perdi um pouco o interesse no livro. Porque começar um livro novo a cada capítulo sem chegar à sua conclusão é frustrante. Nestes momentos, acabei lendo de forma dinâmica, para chegar na história que, sim, teria conclusão, do mistério do Leitor.

É o livro mais diferente que eu já li, sem sombra de dúvidas, pelo menos até agora, nesta altura da vida. Vale muito a pena ler antes de morrer, como a indicação. Nem que seja só pelo primeiro capítulo, que é fenomenal e compensa qualquer decadência posterior.

E você? Já leu? Deixe sua opinião nos comentários!
Siga o blog no Google Friend Connect.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha | Papillon - Henri Charrière

Editora: Bertrand Páginas: 728 Estrelas: ✬✬✬✬ Skoob Publicado originalmente em 1969 com o título de Papillon

Charriere, condenado à prisão perpétua por um assassinato que não cometeu, foi um dos poucos que conseguiram fugir da Ilha do Diabo, presídio localizado na floresta impenetrável da Guiana Francesa, onde os presos pagavam por seus crimes sofrendo degradações e brutalidades. No livro, ele relata como foi acusado, fala de seu martírio ao longo dos anos de confinamento, além da corrupção entre os guardas e como planejou sua fuga cinematográfica. Quando publicado na França, “Papillon” foi alvo de grande controvérsia. Nunca se soube ao certo se os acontecimentos narrados de fato ocorreram com o autor, como ele alega – o que faria do livro um romance autobiográfico –, ou se a trama é fruto de sua fértil imaginação. “Papillon” é um dos relatos mais impressionantes e realistas de toda a literatura, um feito incrível de engenhosidade humana, força de vontade e perseverança. A história de um …

Resenha | A Arte de ter Razão - Arthur Schopenhauer

Editora: Faro Editorial Páginas: 128 Estrelas: ✬✬✬ Skoob Publicado em 1831.

A forma como nos comportamos socialmente não mudou muito desde Aristóteles. Partindo dos escritos do pensador grego, Schopenhauer desenvolve em sua Dialética Erística, 38 estratégias sobre a arte de vencer um oponente num debate não importando os meios. E, para isso, mostra os ardis da maior ferramenta que todos possuímos, a palavra. Usar argumentos e estratégias certas numa conversa é uma arma poderosa em qualquer momento. E tanto vale para quem quer reforçar um talento, evitar ciladas dialéticas, ou simplesmente estar bem preparado para negociações ou qualquer outra ocasião que exija argumentação... o que acontece em todos os momentos da vida. Essas estratégias não foram inventadas por Schopenhauer. Seu trabalho foi identifica-las, reuni-las de modo coerente, mostrando como são utilizadas, em quais momentos elas surgem em meio a uma discussão, de modo que você possa utilizar-se deste livro até mesmo para desmasc…

Resenha | Primeiro ano - Scott Turow

Editora: Record Páginas: 220 Estrelas: ✬✬✬✬ Skoob Publicado em 1977.

Ao narrar as angústias, as dificuldades, os desafios e os triunfos que marcaram seu primeiro ano na Faculdade de Direito de Harvard, Scott Turow denuncia problemas surpreendentes no sistema de educação jurídica de uma das mais antigas e conceituadas instituições de ensino dos Estados Unidos. Um relato dramático e um importante depoimento do autor.