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Resenha | Papillon - Henri Charrière


Editora: Bertrand
Páginas: 728
Estrelas: ✬✬✬✬
Publicado originalmente em 1969 com o título de Papillon


Charriere, condenado à prisão perpétua por um assassinato que não cometeu, foi um dos poucos que conseguiram fugir da Ilha do Diabo, presídio localizado na floresta impenetrável da Guiana Francesa, onde os presos pagavam por seus crimes sofrendo degradações e brutalidades. No livro, ele relata como foi acusado, fala de seu martírio ao longo dos anos de confinamento, além da corrupção entre os guardas e como planejou sua fuga cinematográfica. Quando publicado na França, “Papillon” foi alvo de grande controvérsia. Nunca se soube ao certo se os acontecimentos narrados de fato ocorreram com o autor, como ele alega – o que faria do livro um romance autobiográfico –, ou se a trama é fruto de sua fértil imaginação. “Papillon” é um dos relatos mais impressionantes e realistas de toda a literatura, um feito incrível de engenhosidade humana, força de vontade e perseverança. A história de um homem que não se deixou vencer. Ao lê-lo, o leitor estará certo de ter um thriller nas mãos.

Esse é um daqueles livros que já habitava meu imaginário antes de eu lê-lo. Algumas pessoas ao longo da vida vão comentando e recomendando, então, obrigatoriamente já entra pra lista de leituras.

Bom, trata-se de um livro de memórias e, portanto, de uma história real. Porém, durante a leitura, eu esqueci que se tratava da história de uma pessoa e comecei a tratar como ficção, em certas partes não consegui conceber que se tratava de uma história real. Acho que, uma coisa é tu leres Os Miseráveis, que é ficção e "entender" porque ele passou 18 anos preso por ter roubado pão. Outra coisa é você ler a história de uma pessoa que foi condenada à trabalhos forçados perpetuamente.

Papillon, assim nomeado por causa de uma tatuagem de borboleta, conta um pouco de seu julgamento, de seu passado, mas a história principal é a sua fuga da Ilha do Inferno, local onde antes ninguém tinha conseguido fugir.

Com uma certa licença poética, ele vai contando como é a prisão, como são seus habitantes, suas histórias e razões. O leitor fica íntimo dos "personagens" e é impossível não se compadecer com todas as torturas que eles sofrem.

Em certa altura, ele consegue fugir e se refugiar numa colônia indígena, se casa e tem filhos. Vive uma vida mansa, pescando e descansando. Mas seu desejo de vingança é maior, ele precisa voltar para a França e se vingar de seus acusadores. Em todo o livro ele sustenta sua inocência.

Não cabe a mim julgar as memórias do autor, porém, o livro tem partes mais chatas, de leitura mais lenta e repetitiva. Alguns temas são constantes, como seu desejo de fuga e de vingança. Parece uma real sucessão de desgraças, por várias vezes o Papillon consegue fugir e, por um motivo ou outro, acaba preso novamente. E isso se repete em várias ocasiões. Até que consegue seus intentos.

Existe controvérsia sobre a veracidade dos fatos, e eu entendo porquê. O livro é incrível, todos os esforços despendidos para a fuga são cinematográficos, realmente. Porém, também não é impossível que tenha ocorrido dessa forma, um pouco "embelezada" pelo autor.

Eu não diria que é um thriller, como a sinopse. Melhor encarar como uma memória ou um livro de aventuras, que comporta momentos mais chatos, mas também traz momentos de excelência. Gostei de ter lido, embora não tenha entrado na lista dos favoritos da vida.


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