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Resenha | Primeiro ano - Scott Turow


Editora: Record
Páginas: 220
Estrelas: ✬✬✬✬
Publicado em 1977.


Ao narrar as angústias, as dificuldades, os desafios e os triunfos que marcaram seu primeiro ano na Faculdade de Direito de Harvard, Scott Turow denuncia problemas surpreendentes no sistema de educação jurídica de uma das mais antigas e conceituadas instituições de ensino dos Estados Unidos. Um relato dramático e um importante depoimento do autor.

Eu já fiz um post específico para os quotes desse pequeno maravilhoso livro, mas não foi o suficiente, vou repetir alguns aqui também. 

Bom, trata-se de um livro de memórias sobre o primeiro ano da faculdade de Direito de Harvard, vividas - é claro - pelo autor, Scott Turow. De primeira, já digo, não é um livro só para estudantes de Direito, e sim, para todos que estão começando a faculdade ou querem relembrar os velhos tempos. Conforme se pude ver no trecho abaixo:

"É manhã de segunda-feira e quando entro no prédio principal posso sentir o estômago dar um nó. Pelos próximos cinco dias vou achar que sou um pouco menos inteligente que qualquer outro à minha volta. Na maior parte do tempo estarei imaginando que o privilégio que desfruto me foi conferido como uma espécie de embuste peculiar. Terei a certeza de que, não importa o que faça, não farei bastante bem, e, quando fracassar, sei que vou morrer de vergonha."

Esse é um sentimento que eu tenho quase certeza de que todos acabam passando na faculdade. Em um momento estar inebriado pelo conhecimento e, no próximo, crente de que nunca vai aprender nada, que essa vida não é pra você.

São esses os sentimentos expostos pelo autor, dessa fase tão peculiar da vida. No caso dele, ele já era adulto e casado. Entretando, ele viveu as mesmas expectativas que um estudante "novo". A competição com os colegas, a dedicação intensa e quando você percebe que, talvez, isso não importe tanto.

Ele também, é claro, critica muito o ensino jurídico. A forma como estudamos, a "pose" que é imposta, os pseudo-intelectuais juristas. O trecho abaixo me identifica completamente:

"As coisas ainda permanecem em minha cabeça durante todo o tempo, embora às vezes eu especule se essa absorção não é um pouco perigosa ou louca. Outro dia pedi um hambúrguer e por um momento especulei a sério se não fora formado um contrato e se haveria indenização caso eu recusasse agora. O restaurante teria direito ao valor razoável do hambúrguer ou ao lucro total?"

Juro para vocês, quando há uma reunião de colegas, os assuntos permeiam esse tipo de indagação. Isso quando o pensamento não vaga durante o dia e o pensamento já corre para responsabilidade civil, dano material/moral/estético, princípios constitucionais, direitos do consumidor e afins. É um estilo de profissão que acaba virando o ar que você respira, e esse aspecto também é muito bem relatado pelo autor.

O livro perambula entre esses dois campos, o de ser estudante e o de ser estudante de Direito. Eu gostei tanto que adoraria que todos lessem, entretanto, reconheço que seu público é um pouco limitado. Eu recomendaria para estudantes no geral, e em especial, para os colegas do Direito.

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